Céticos sempre disseram que o qualquer benefício com
o uso da técnica, que tem origem na medicina chinesa tradicional,
decorre da esperança que o paciente tem em relação
ao tratamento.
Os pesquisadores fizeram diversos testes e escanearam os cérebros
de voluntários. O resultado do trabalho foi publicado no
jornal especializado NeuroImage.
Eles usaram tomografia por emissão de posítrons (PET,
na sigla em inglês) para ver o que acontece nos cérebros
das pessoas que se submetem a tratamento com acupuntura para aliviar
a dor causada por artrite.
Pele perfurada
Cada um dos 14 voluntários se submeteu a três intervenções,
numa ordem aleatória.
Em uma das intervenções, pacientes foram tocados com
agulhas grossas, mas sabiam que não teriam a pele perfurada
e que a experiência não teria valor terapêutico.
Outra intervenção envolveu um tratamento com agulhas
especialmente desenvolvidas para dar a impressão de que a
pele estava sendo penetrada, embora isso não tenha realmente
ocorrido.
As pontas dessas agulhas desaparecem dentro do corpo da agulha quando
pressionadas.
A terceira intervenção era realmente acupuntura.
Quando os pesquisadores analisaram o resultado da PET, descobriram
diferenças marcantes entre as três situações.
Apenas as áreas do cérebro associadas com a sensação
de toque foram ativadas quando os voluntários eram tocados
com agulhas grossas.
No caso das agulhas cujas pontas desapareciam, uma área do
cérebro associada com a produção de opiáceos
naturais - substâncias que aliviam a dor - foi ativada.
A mesma área foi ativada com a acupuntura de verdade, mas,
além disso, outra região do cérebro, a insular,
foi estimulada pelo tratamento.
Essa região já era conhecida por estar associada à
acupuntura e porque, acredita-se, está envolvida na modulação
da dor.
Sarah Williams, do Conselho de Acupuntura Britânico, disse:
"É uma notícia muito positiva para a acupuntura,
e essa pesquisa é uma excelente ilustração
do que os acupunturistas já sabiam há muito tempo".
FONTE: BBC Brasil, 1 de Maio de 2005
|